ROTEIRO RELIGIOSO
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Igreja Velha
Igreja Velha

 

 

 

 

 

 

 

 


Altar-mor da Igreja Velha

 

 

 

 

 

 

 

 


Nossa Senhora da Memória

 

 

 

 

 

 

 

 


Igreja Nova

 

 

 

 

 

 

 

 


Baptismo de Cristo

 

 

 

 

 

 

 

 


Cruzeiro do Centenário

 

Palhaça

Povoação e freguesia do Concelho de Oliveira do Bairro, distrito e diocese de Aveiro. Fica situada no extremo noroeste do Concelho, sendo os seus limites, a norte, terras do Concelho de Aveiro e a poente, do Concelho de vagos.

A antiga povoação foi um lugar que pertenceu ao velho Concelho de Soza até à sua extinção, em 31/XII/1853, e foi um curato da Reitoria de Soza, da apresentação dos duques de Lafões que eram seus donatários.

A sua erecção em freguesia data dos princípios do século XIX e nasceu, praticamente, do núcleo populacional demograficamente mais denso, que hoje é o lugar de Vila Nova. Tendo pertencido, como se disse, ao extinto Concelho de Soza, passou também pelo de Aveiro, fixando-se até hoje no de Oliveira do Bairro.

Usufrui de uma situação privilegiada, pois inclui um cruzamento rodoviário importante, visto que é atravessada pelas estradas de Aveiro a Cantanhede e de Águeda a Vagos.

É e sempre foi uma aldeia essencialmente agrícola e as suas feiras bimensais - a 12 e 29 de cada mês - permitiram-lhe o desenvolvimento do comércio de casas de pasto, actualmente algumas transformadas em restaurantes, que lhe dão uma importância gastronómica de certo interesse, dentro do próprio Concelho.

A actual freguesia da Palhaça é constituída pelos seguintes lugares: Vila Nova, Tojeira, Chousa, Palhaça, Rebolo, Roque (parte de Nariz), Bebe-e-vai-te, Carregais, Vale do Rato, Areeiro, Albergue e Pedreira (parte de Oiã). Ultimamente, a povoação tem-se estendido para todos os lados, com a criação de novos lugares.

Ainda que, de algum tempo a esta parte, tenha havido um surto de indústria, (alumínio, confecções, etc.), a freguesia continua a ser uma povoação de cariz essencialmente rural e os seus campos - muitos dos quais já abandonados - produzem ainda vinho, milho, batata, feijão e frutas variadas. O linho, de cultura longínqua, o trigo e outros cereais de pragana obrigaram a outras actividades e hoje não se cultivam ou não têm qualquer peso económico.

A sua igreja velha, situada no lugar de Vila Nova, implicou o aproveitamento da antiga Capela de S. Pedro, que é o padroeiro da freguesia, e uma ampliação posterior. A lápide com inscrição, colocada na parede externa da actual capela-mor, é suficientemente elucidativa. Neste velho templo, está instalado o Museu Paroquial da Palhaça que já goza de certa nomeada, sendo digno de ser visitado, embora as condições de resguardo e de exposição sejam ainda precárias, já se vislumbra a construção de novos espaços modernos e condignos.

Nos últimos anos, como organização da ADREP, têm-se realizado, com criatividade e certo brilho, as Marchas dos Santos Populares que atraem muita gente não só da freguesia mas também das aldeias próximas.

As festas tradicionais mais importantes são: a do patrono da freguesia, S. Pedro, a 29 de Junho, à qual se associa a feira também designada de S. Pedro que se tornou afamada; as festas de São Sebastião e da Nossa Senhora da Memória, que se realizam em 21 e 22 de Agosto, dois dias seguidos um para cada invocação, e às quais afluem muitos forasteiros e particularmente, os emigrantes nascidos na freguesia.

 

Igrejas e Capelas da freguesia

A chamada Igreja velha, paroquial, em Vila Nova. Foi construída a partir de uma pequena capela dedicada a S. Pedro, que é o padroeiro. A capela-mor foi começada a 25 de setembro de1837; em 1831, foi acrescentada à Igreja, depois de ter sido desanexada da Matriz de Soza em 1804.

A imagem de S. Pedro, de madeira, é do século XVIII; o Senhor da Cana Verde veio de um convento de Aveiro. As outras esculturas são relativamente novas: imagem de santa Bárbara, de Nossa Senhora da Memória, do Mártir S. Sebastião e bem assim as esculturas jacentes do Senhor Morto (de madeira e braços articulados) e de Nossa Senhora Morta, datada de 1758.

Os normais actos de culto passaram a realizar-se na nova Igreja, no Areeiro, construída entre 1955 e 1964. Possui ao centro, na capela-mor, Jesus crucificado de grandes dimensões, cuja cruz parece ter por base o Sacrário. Nas duas capelas laterais, a imagem de S. Pedro, patrono da freguesia, à direita, e, à esquerda, a imagem de Nossa Senhora. Ambas as imagens são modernas, de madeira. Na capela do baptistério à entrada e à esquerda, encontra-se uma bela pintura de 1966, representando o baptismo de Cristo, assinada por Molina Sanchez

Capela dos Capões, antigamente das Capoas - Situada no começo do lugar do Areeiro, quase em frente da Igreja Nova. Imagens do fim do século XIX: de Nossa Senhora do Rosário, com o Menino, ao centro do retábulo; de Santa Ana, ensinando a Virgem-Menina a ler, à esquerda; de S. José com o Menino, à direita. Todas são de madeira policromada. Esta capela estava dotada dos paramentos e das alfaias litúrgicas essenciais para as celebrações religiosas.

Na bifurcação da Rua de Cimo do Areeiro, havia outrora a chamada Capela dos Espadilhas, com corpo central e sacristia. Tendo sido demolida já nos nossos dias, foi substituída por uma outra, no mesmo sítio, pequeno templo de invocação de Nosso Senhor dos Aflitos. Ao centro do pequeno retábulo está Cristo crucificado e, do lado direito, uma imagem da Virgem.

Em frente desta construção, do outro lado da estrada, outra pequena capela da invocação de Nossa Senhora do Bom Remédio e de Nossa Senhora do Bom Parto, de acordo com as imagens do interior e as indicações da fachada, cuja data de construção se situa no ano de 1963.

Capela da Nossa Senhora dos Retornados, no Albergue. É uma pequena capela moderna, particular, construída depois do 25 de Abril por José Maria Lourenço. A sua celebração é feita no segundo domingo de Agosto, pelos retornados do Ultramar Português, como o seu proprietário.

Na bifurcação que dá para o lugar da Chousa, situa-se uma capelinha de 1981, com duas invocações: de Nossa Senhora do Livramento e de Santa Eufêmia. É particular e pertence a Almerindo Francisco Oliveira.

Podemos indicar ainda algumas capelinhas de devoção às Almas do Purgatório, popularmente designadas por Alminhas:

Notam-se bem as ruínas de uma pequena capela, no limite da freguesia de Palhaça com Bustos, num cruzamento tipicamente rural, mas situadas na propriedade da Família Esgueira. As ruínas deste pequeno templo, designado por Alminhas dos Esgueiras, foram sempre assim conhecidas até pelas pessoas vivas mais antigas da família proprietária.

Se as Alminhas dos Esgueiras ficam situadas a sul da povoação, o norte da freguesia foi também contemplado com uma pequena capelinha das Almas, mandada construir pelo Padre Henrique Simões Capão, à beira da estrada, à esquerda, na saída para Aveiro. Foi restaurada várias vezes.

Num velho cruzamento do Areeiro, situa-se a chamada Capela das Martinsas. É um pequeno templo de devoção às Almas, o qual, antes do acidente que o reduziu a escombros, possuía porta com pequena grade ao centro e, no interior, um painel de pintura popular alusiva às almas do Purgatório. Actualmente possui ao centro do altar, uma bela imagem de S. Miguel, da características especiais

Já foi feita a sua reconstrução.

 

Cruzeiros

Um, mais antigo; erecto num cruzamento de Vila Nova, datado na base de 1733. Foi destruído por um acidente e depois, restaurado, tendo sido substituído o fuste e a cruz.

Um outro, bem conservado, no adro da Igreja Velha, é também antigo.

Outro, no centro da Palhaça, a sair do largo da velha feira para Vila Nova, em pedra de Ançã, com Cristo crucificado, relativamente recente. Diz-se ser o Cruzeiro do Centenário.

No cruzamento do Areeiro, para embelezamento do largo que deu entrada ampla para o lugar do Albergue, foi erigido bonito cruzeiro moderno, em 1968, a expensas da Igreja da freguesia.

No Albergue, noutro cruzamento, um outro cruzeiro foi construído por promessa de Osório Espadilha e, apesar de recente, ostenta, no cimo da coluna, belos escudos portugueses, situados nas faces, a níveis diferentes.

No centro da freguesia, sobre um coreto de estrutura moderna, apoia-se uma bela escultura de S. Pedro, de mármore, feita na oficina Freitas, do Sobreiro. Como curiosidade, temos a informação de que foi o pároco da Palhaça, Padre Manuel de Oliveira, revestido da Capa de Asperges, quem serviu de modelo ao escultor para a realização do trabalho da imagem de S. Pedro.

Toda esta construção ocupa o centro do antigo Largo da Feira, hoje também designado por Largo de S. Pedro.

 

Alguns dados culturais relativos à freguesia da Palhaça

1- Datados de 19 de Julho de 1791, conhecem-se, relativos a Vila Nova da Palhaça, da freguesia de Soza, os "Autos apostólicos de um Breve do Papa Pio VI de um altar privilegiado para a Capela de S. Pedro de Vila Nova da Palhaça, para passar edital com teor da graça e designação de três dias de cada semana ao seu beneplácito para evitar despesas de novo edital."

2- Na noite de 10 para 11 de Fevereiro de 1810, houve um grande desacato na igreja da freguesia, pelo que o Bispo ordenou que se fizessem preces públicas.

3- D. Fernando, reconhecendo o valor dos trabalhos produzidos pela Fábrica da Vista Alegre, visitou-a, ao regressar do Porto com a Rainha e os Filhos, em 24 de Maio de 1852. Saíram de Aveiro às 7 horas da manhã; o Rei e o Príncipe tomaram o caminho da Vista Alegre; a Rainha tomou o caminho em direcção à Palhaça, onde se deteve algum tempo nas instalações da estalagem, esperando o reencontro com os familiares.

4- Houve na Palhaça uma banda de música que, pelas oito horas e meia da manhã do dia 18 de Janeiro de 1885, juntamente com as Filarmónicas Aveirense, Amizade e Ilhavense, estando presentes a Câmara Municipal, autoridades, a Companhia de Bombeiros, demais convidados e muito povo, esperaram, na gare da estação de Aveiro, um comboio especial com o Regimento de Cavalaria 10.

5- A 22 de Julho de 1892, relativos à Capela das Capoas, do Areeiro da Palhaça, Concelho de Oliveira do Bairro, são conhecidos os "Autos de licença de Benção de uma capela particular e de gozo público com a invocação de Nossa Senhora do Rosário do lugar do Areeiro, freguesia da Palhaça, pedidos por Maria Ferreira de Jesus, solteira."

Ora, embora tivessem tido a iniciativa da construção da Capela os quatro irmãos - Henrique, Maria de Jesus, Ana e João - foram as mulheres, após a morte dos irmãos, que tiveram de superintender na governação da casa e na construção do templo. Por isso, ficou a ser designada por Capela das Capoas e não dos Capões. Ana foi a última a morrer, em 1917.

6- A via colimbriana, segundo João Bautista de Castro, apresenta o roteiro travesso de Coimbra para Aveiro, contando nove léguas ao noroeste: de Coimbra aos Fornos I, daqui aos Marcos I, a Murtede I, a Venda Nova I, a Samel I, a Mamarrosa I, a Palhaça I, a Salgueiro I, a Aveiro I.