ROTEIRO RELIGIOSO
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Interior da Igreja Matriz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Monumento ao Padre Acúrcio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Pormenor de retábulo da Igreja Matriz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


N. S. das Candeias

 

Oliveira do Bairro

É vila e sede de um concelho essencialmente rural, ocupando, mais ou menos, uma área de 86 quilómetros quadrados. No actual concelho, estão integradas seis freguesias cinco das quais, em tempos passados, pertenceram a outros concelhos limítrofes: Oliveira do Bairro, sede do antigo município, Bustos, Mamarrosa, Oiã, Palhaça e Troviscal.

D. Manuel I concedeu-lhe foral novo em seis de Abril de 1514, e a freguesia da sede era um priorado que pertencia ao padroado real.

Foram seus donatários os Condes de Miranda do Corvo e Marqueses de Arronches, mais tarde também (1718) Duques de Lafões, os quais foram senhores de muitas outras terras.

Primitivamente e de acordo com o seu foral, a área da Vila era consideravelmente mais pequena, pertencendo-lhe então as terras e lugares seguintes: Barro do Mogo, Lavandeira, Montelongo da Areia, Pedela (hoje, Vila Verde), Repolão e Amoreira (do Repolão) e Cercal.

O velho edifício dos Paços do Concelho foi concluído em Março de 1874, nele ficando instaladas as repartições públicas necessárias e convenientes para a época. Actualmente, a vila está servida por moderno e belo edifício do paços do concelho, com instalações condizentes com as actuais necessidades.

Oliveira do Bairro pertence ao distrito e à diocese de Aveiro e, actualmente, já é comarca.

O orago da freguesia é S. Miguel Arcanjo e a sua Igreja Matriz é uma ampla construção do século XVII, à excepção da fachada e da torre que são dos fins do século XIX. O interior da Igreja mantém certo interesse, principalmente pelo barroco dos seus retábulos de madeira dourada e por algumas das suas imagens.

A Vila tem mercados aos sábados e o feriado municipal foi outrora a 6 de Abril, data da concessão do seu foral, mas, modernamente, recai na Quinta-Feira da Ascensão. Tem estação do caminho de ferro da linha do Norte que atravessa o Concelho no sentido Norte-Sul. Junto à estação, foi notável a laboração da sua fábrica de objectos de grés.

O Concelho está enquadrado na rica zona agrícola da Bairrada, tendo sido os seus vinhos característicos uma das suas maiores produções e de grande rentabilidade. Hoje, grande parte dos lavradores do Concelho está a abandonar o cultivo da vinha por não poderem competir com as exigências do mercado europeu. No entanto, os seus campos continuam cultivados, havendo milho, batata e feijão em abundância. Ultimamente, alguns proprietários dedicaram-se à cultura do kiwi, parece com bons resultados, tendo-se já constituído uma associação cooperativa - KIWICOOP - para orientação estímulo e defesa dos agricultores dedicados a esta nova actividade, sediada em Malhapão Rico.

Devido à sua boa localização e à constituição específica dos seus solos, houve, ultimamente, no Concelho, uma mais ampla abertura à indústria, particularmente de cerâmica.

Nos dias de hoje, a freguesia da Vila é constituída por um maior número de lugares: Alagoa, Amoreira do Repolão, Barro do Mogo, Brunheira, Cabecinha, Camarnal, Caneira de Vila Verde, Cercal de Baixo, Lavandeira, Montelongo da Areia, Murta, Murteira, Porto Chão, Porto da Moita, Portouro, Serena, Repolão e Vila Verde. Praticamente, a actual freguesia da sede do Concelho de Oliveira do Bairro é mais ou menos constituída pela área que estava definida dentro dos termos de Foral Manuelino.

De 14 de Julho de 1760, é conhecida a "Apresentação de uns breves de cumprimento de missas que foram impetrados: por Bento da Cunha, administrador de um morgado com missa quotidiana na capela da Quinta do Barro do Mogo da freguesia de S. Miguel de Oliveira do Bairro". É de 18 de Outubro de 1743, o "Requerimento apresentado pelo licenciado António Filipe Ferreira, da vila de Oliveira do Bairro a pedir para lhe ser autorizada a construção de uma capela no sítio do Porto da Moita, com a invocação de S. Pedro, e em fazenda própria". Todavia, de 10 de Março de 1767, é datado o "Requerimento apresentado por Lourenço António, administrador da capela de S. Pedro, do Porto da Moita, para ser dispensado das missas instituídas pelo licenciado João Filipe Pessoa e António Filipe e Maria de Oliveira, por não existir capelão para o fazer".

A monumentalidade da Vila é relativamente pobre. Para além da Igreja, podemos indicar o velho edifício da Câmara Municipal, que era acanhado e pouco funcional, o edifício da Estação do Caminho de Ferro, o do Teatro ao norte do jardim onde foi erigido o monumento ao poeta bairradino Padre Acúrcio Correia da Silva, natural do Cercal. Algumas, poucas casas, ostentam brasão na fachada, de histórias particulares.

Modernamente, foram construídos o edifício das Finanças, onde também funciona o Tribunal da Comarca e outras repartições, o edifício dos Bombeiros Voluntários do Concelho e outras obras estão em curso. Está já em funções o moderno edifício dos Paços do Concelho.

A Vila possui Hospital, Escola do Ciclo Preparatório e Escola Secundária.

A partir de 1990, tem-se realizado, com progressivo sucesso, no mês de Julho de cada ano, a Feira Industrial, Agrícola e Comercial de Oliveira do Bairro (FIACOBA), com a coordenação superior do Presidente da Câmara, apoiada por duas Comissões, uma das quais está ligada à área cultural.

Na Igreja da sede da freguesia, que merece uma visita especial no seu todo, indicam-se as imagens de S. Miguel Arcanjo (foto 9), da Virgem do Rosário com o Menino, da Virgem da Assunção e de S. Sebastião. Chama-se a atenção para alguns lanços de talha e relevos magníficos.

A capela do Senhor dos Aflitos, situada a norte da vila. Por cima do pórtico está uma inscrição que nos dá a data da sua edificação: Ao Senhor dos / Aflictos vota / esta Capela, / Edificada à sua / custa, D. Jozefa / Joaquina Salga / do. Em 1860.

No topo lateral, apresenta pequeno campanário de ventana, com sineta. Simetricamente, surgem uma de cada lado do portal, duas janelas. Na pedra superior da janela do lado direito, lê-se uma inscrição que nos leva a supor nesse lugar, a existência de um velho cruzeiro: q.m quiser dar esmola p.ª as obr / as do Sh~ dos Aflitos que se colecou / neste Cruz.ro no anno de 1679.

A sua festa celebra-se em Agosto.

A capela de S. Sebastião, à saída de Oliveira do Bairro para Sul, alta, relativamente moderna, é considerada de pouco interesse arquitectónico.

A fachada apresenta ao centro, no topo, pequeno campanário de ventana com sineta, janela ampla central com caixilharia de ferro, por cima da porta. Entre a janela e a porta, a seguinte lápide: Em honra do Martyr S. Sebastião, / E para com prazer com a vontade / do seu muito estimado amigo Anto- / nio F. Martins, erigiram esta cape / lla os oliveirenses residentes no Amazonas. / Construída em 1910.

A capela tem duas estreitas janelas laterais, uma de cada lado do pórtico e, em cada uma das paredes laterais do edifício, duas janelas rasgadas, quase geminadas. Toda a caixilharia das janelas é de ferro.

No interior, um agradável altar colorido, dos princípios do século e na parede do lado do norte, uma lápide com os nomes dos que contribuíram para a edificação do templo. A sua festa faz-se a 5 de Junho.

Todavia, de 11 de Julho de 1826, e conhecido o "Auto de requerimento dos moradores da vila de Oliveira do Bairro para licença de benção da capela dedicada a S. Sebastião para celebração da festividade, em virtude de ter sido suspensa por se encontrar em ruínas".

Nogueira Gonçalves regista que há, no Repolão, a capela de Nossa Senhora da Purificação, popularmente conhecida por Nossa Senhora das Candeias, e de Nossa senhora da Saúde, de acordo com as imagens que nela se encontravam no altura da sua visita. A imagem mais antiga, feita de pedra, é a Virgem com o Menino, do século XV.

Ora a capela de Nossa Senhora das Candeias da Amoreira do Repolão é muito antiga; apresenta pequeno campanário de ventana ao centro. Foi reconstruída e ampliada. Apresenta duas janelas com grades e portadas interiores, uma de cada lado do pórtico. A festa celebra-se no dia 2 de Fevereiro ou no domingo a seguir a este dia.

Há, portanto, duas capelas a considerar: a do Repolão, com a invocação de Nossa Senhora da Saúde, construída entre 1953 e 1955 e reconstruída em 1983, mantendo a imagem de Nossa Senhora da Saúde que para aqui veio "retirada" da capela da Amoreira do Repolão.

A sua festa realiza-se a 15 de Agosto.

Quanto à capela de Nossa Senhora das Candeias, diz-se ser muito antiga e Nogueira Gonçalves escreve que a sua reconstrução deve datar dos séculos XVII - XVIII.

No lugar da Cabecinha, perto do fontenário, está construída uma pequena capela de entrada alpendrada, da invocação de Nossa Senhora dos Milagres. Construção dos meados deste século, pouco antes de 1940. Monsenhor João Gonçalves Gaspar diz que foi construída em 1950. Deve-se ter em conta, todavia, que outro pequeno templo ficava situado num pequeno largo a pouca distância do lugar actual, tendo sido mudado por necessidades de urbanização. Esta exigência de mudança de local implicou, naturalmente, a construção de pequena capela de tipo actual, em 1950, como indica o referido autor.

No lugar do Cercal, junto à Vala do Caniço, estão situadas as chamadas Alminhas do Caniço, um nicho de aspecto singular que implicou uma reconstrução e a respectiva modificação em 1968. Diz-se serem muito antigas, tinham porta de madeira que foi substituída por uma de ferro com grade. Possui um painel de azulejo colorido, com uma quadra de redondilha menor, de tipo popular, adequada:

"Almas piedosas,
Que ides passando,
Lembrai-vos de nós,
Que estamos penando."

Ainda no lugar do Cercal, existe uma capela moderna da invocação do Santíssimo Nome de Jesus, a qual veio substituir uma outra, pequena, baixinha, sem janelas laterais e com uma pequena sineta.

É uma capela pública, cuja primitiva edificação é de 1680, vindo-se, depois, a fazer três reconstruções: 1874-1960-1978, tendo-se realizado, na última, o revestimento da fachada e da torre com azulejo.

Segundo uma testemunha ocular, o poeta Padre Acúrcio Correia da Silva, natural deste lugar, inscrevera na parede do lado nascente da velha capela, a seguinte quadra, de redondilha maior:

"No dia do meu enterro,
Se na Primavera for,
Por campa ponham só rosas,
Por epitáfio, uma flor."

No lugar de Vila Verde, existe uma velha capela, restaurada, de pequeno campanário de ventana sobre o lado esquerdo, dedicada a S. João, em nome do qual se faz a festa principal do lugar, no seu próprio dia (24 de Junho). No entanto, a capela tem ainda as imagens de Santa Bárbara e de Nossa Senhora de Boa Memória, cujas festas se fazem em dois dias seguidos, um para cada invocação. O Padre Domingos Rebelo não se refere à invocação da Virgem neste lugar.

O Cruzeiro de Vila-Verde é antigo e foi restaurado com o aproveitamento do fuste e da respectiva base, que são originais. De facto, na base de suporte da coluna, está gravada a data de 1671.

Ainda no lugar de Vila-Verde, existe uma pequena capela das Alminhas , integrada numa propriedade particular, de aspecto exterior antigo, tendo lá dentro, Cristo na cruz. Fica situada no cruzamento para a Caneira de Vila-Verde.

De 21 de Agosto de 1755, é o "Requerimento apresentado por Manuel António Rola do lugar de Vila Verde, a pedir autorização para a construção de uma capela para a veneração da imagem de Cristo Crucificado, no mesmo lugar, onde seus antepassados construíram um cruzeiro com a imagem de Cristo, por quem os fieis têm grande devoção devido aos milagres que fez".

É de 18 de Junho de 1759, o "Requerimento apresentado pelos moradores de Vila Verde para ser mandada benzer a capela de S. João que ficara destruída pelo terramoto".

No lugar do Camarnal, há uma capelinha moderna, da invocação de Nossa Senhora da Conceição. É particular, pertence a José de Oliveira Miguéis e família, emigrante no Brasil, e foi feita, sob promessa, em 5/10/1949.

Ainda que a sua festa se realizasse primeiramente no dia 8 de Dezembro, passou a celebrar-se no 2º domingo de Agosto, na altura da vinda dos emigrantes.

Em Montelongo (da Areia), no local chamado Picoto, está edificada uma pequena capela particular, restaurada, dedicada a Santo António. Dentro, possui uma imagem do Santo mais antiga, de pedra , de cariz popular; outra maior, moderna, de cores mais vistosas, do mesmo Santo português.

Existem ainda, no lugar de Montelongo, num cruzamento de caminhos rurais, umas Alminhas. Trata-se de uma pequena capela em ruínas, particular, pertencente a António Rato que, segundo informações in loco, pensa em reconstruí-la.

Todavia, a 31 de Março de 1716, foi registado o "Requerimento apresentado por Manuel Marques de Oliveira, José António Grilo, Sebastião da Silva Pereira, Domingues Marques, Domingues Ferreira Excelente, Dominguess Ribeiro, Manuel João, António da Silva e outros moradores do lugar de Monte Longo para a construção de uma capela sob a invocação do Senhor da Agonia, obrigando-se a sustentá-la e a paramentá-la".

No lugar de Serena, a que se diz ser a capela mais antiga daquelas redondezas, dedicada a Santo Estêvão, tendo também a imagem da Senhora das Febres. Está restaurada. Possui pequeno campanário de ventana, de pedra trabalhada. Tem aberturas laterais protegidas por grades, sem vidros, uma de cada lado da porta de entrada.

Faz-se festa religiosa em Dezembro, a seguir ao dia de Natal (26 de Dezembro). É vulgarmente designada por festa dos figos secos.

O Padre Domingos Rebelo não regista aqui a invocação de Nossa Senhora das Febres.

Num cruzamento deste lugar, existe uma capelinha que dizem ser também muito antiga - primitivamente umas Alminhas - que resultou de uma doação de bens de uma senhora sem filhos, a uns sobrinhos, com intenção de ser feita uma capela, mais ou menos naquele local. Depois de reconstruída, a pintura popular das Almas foi substituída pela imagem de Santo António, a quem passou a ser dedicada.

No exterior, um painel moderno de azulejo colorido com Santo António.

No lugar de Lavandeira, fica situada a capela de Nossa Senhora da Alumieira - uma imagem pequena que dizem ser muito antiga. Mas existe também a imagem de S. Tiago e a do Espírito Santo .

A celebração da sua festa realiza-se no primeiro domingo de Agosto.

A 26 de Maio de 1766, foi registado um "Requerimento a pedir a bênção da capela do Divino Espírito Santo do lugar da Lavandeira, que tinha sido restaurada após o terramoto, a custas dos moradores do lugar".