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Espírito Santo - Capela da Gesta

 

Oiã

Oiã é, na actualidade, uma das mais populosas, mais ricas e mais progressivas freguesias do Concelho de Oliveira do Bairro. Usufruindo de uma boa situação, fica localizada a 5 quilómetros, a norte, da Sede do Concelho. Tudo nos leva a crer e a aceitar a etimologia latina Oleana para o seu topónimo. Pertenceu à casa dos Marqueses de Arronches, Duques de Lafões, sendo curato da sua apresentação, e foi lugar da freguesia de Paradela que, hoje, é um simples lugar da freguesia de Espinhel, do Concelho de Águeda. Separou-se, entretanto, passando a constituir uma freguesia independente. Por isso, esteve anexada ao Concelho de Águeda enquanto durou a suspensão ou supressão do Concelho de Oliveira do Bairro, de 31 de Novembro de 1895 a 31 de Janeiro de 1898.

Nogueira Gonçalves dá, como orago da freguesia, S. Tomé apóstolo. Actualmente, e por informação do seu pároco, o padroeiro da freguesia é S. Simão apóstolo. É formada pelos seguintes lugares: Oiã, Agras, Águas-Boas, Carris, Carro-Quebrado, Cruzes, Gesta, Malhapão, Pedreira; Perrães, Pousios, Regatinho, Rego, Silveira e Silveiro.

A Igreja paroquial actual data de 1892 e foi inaugurada em 27/X/1901, pelo Bispo Conde D. Manuel Correia de Bastos Pina, substituindo o antigo templo que estava situado no terreno fronteiro, contíguo ao velho cemitério.

Interiormente, é considerado um templo muito rico pela tribuna, pelos retábulos e pelas pinturas que recebeu do Convento de Santa Ana de Coimbra. Possui também algumas esculturas de madeira do século XVIII: Santa Ana e a Virgem Maria a ler, a Virgem com o Menino, Virgem do Calvário, Santa Rita de Cássia, S. José, Santo António, a Senhora da Conceição, do século XVIII, e Cristo Crucificado são pequenas imagens de marfim. Existe também uma imagem de madeira de Nossa Senhora da Conceição (foto 54) em altar próprio.

A festa de S. Geraldo, que é considerada a mais importante, celebra-se a 4 de Julho, embora também se festeje, de modo especial, o padroeiro, em Outubro.

Além deste templo da freguesia, por ventura o mais rico de todo o Concelho, há muitas capelas, edificadas nos vários lugares pertencentes a esta paróquia.

Na altura da construção da estrada Nº 235, foi demolida uma capelinha, à saída da povoação para o norte, designada por Alminhas do Moita. Houve intenção de vir a ser reconstruída, posteriormente, em local próximo, mas tal desiderato não chegou a verificar-se ainda.

À entrada da rua das Agras, existe uma capela particular, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. É de construção moderna. Na mesma rua e lugar das Agras, quase no limite com a freguesia de Fermentelos, há uma pequena capela antiga, particular, denominada Alminhas das Agras.

No seu interior, tem uma imagem de Santo António.

A capela de Santa Margarida, em Águas Boas, com a imagem desta Santa saindo do monstro, em calcário do séc. XV, tem outra imagem da Virgem com o Menino, do séc. XVI. A Sua festa celebra-se em meados de Julho.

No lugar dos carris, ao cimo da ladeira na estrada vinda de Oiã, encontra-se a capela de Santo António, cuja festa bem conhecida se efectua em 20 de Junho. Dentro, além imagem de Santo António, existe a de Nossa Senhora de Fátima.

Também no lugar do Furadouro, existe uma capelinha da invocação de Nossa Senhora das Dores. Trata-se de um lugar actualmente desabitado, só com uma pequena capela tipo alminhas, em terreno particular. É reconstrução de uma outra capela – Alminhas do Furadouro – mantendo, no interior, a imagem de Santo António.

A antiga capela da Gesta, mostrando ainda uma certa imponência de arquitectura rural no seu interior, com tendência a estragar-se, apresenta imagens de valor: a do Espírito Santo, de madeira; a de santo António, de pedra, cujas festas se celebram em Julho/Agosto; a de Nossa Senhora do Rosário com o Menino, em pedra, e a de S. Sebastião.

Esta capela é uma reconstrução de uma outra mais antiga que aí existira, tendo sido, durante muito tempo, a única capela da freguesia que mantinha o Santíssimo Sacramento.

Actualmente no Ribeirinho da Gesta, foi construída uma pequena capela. Já concluída, tem a invocação a Nossa Senhora do Ribeirinho.

Em Malhapão, num belo largo central que constitui cruzamento de estradas, erguia-se a velha capela de Santo Amaro que já foi substituída quase em frente por outro templo de linhas modernas. É afamada a sua festa a 15 de Janeiro, designada, popularmente, por romaria da chouriça e dos figos secos. A população do lugar pensou na demolição da capela antiga, o que, quanto a nós, foi pena, pois poderia ter sido reconvertida num espaço cultural para a povoação. A antiga capela foi reformada em 1949, segundo a data da fachada. Todavia, foi arrasada em 1993, ainda que toda a população não estivesse da acordo, tendo surgido um espaço diferente.

Além da escultura de Santo Amaro, existiam ainda as imagens de S. Sebastião, de Jesus Menino, de Santo Isidoro e, mais recentes, as de Nossa Senhora de Fátima e do Sagrado Coração de Jesus. Todavia, uma imagem antiga e considerada a mais valiosa era a do Espírito Santo que se encontrava de certo modo resguardada.

Na estrada que sai da povoação para o Carro-Quebrado e para Águas-Boas, apoiado num velho muro de adobes, ainda se pode observar um antigo nicho de Alminhas já abandonado há muito.

No lugar da Pedreira (de Oiã), existe um conjunto moderno construído num cruzamento, formado por um nicho com a imagem de S. Martinho, tendo em frente um cruzeiro. Trata-se de um típico nicho de Alminhas, modernizado. Ainda neste lugar e noutro cruzamento de caminhos rurais, está situada uma capelinha das Alminhas, muito antiga, com as imagens de Santo António e de Nossa Senhora de Fátima.

Temos também a capela de Nossa Senhora das Febres, em Perrães, cuja festa se tornou uma grande romaria para as gentes da região, realizada em Setembro. Aí se venera a imagem da invocação de Nossa Senhora dos Evendos. O Padre Domingos Rebelo não faz qualquer referência a esta invocação. A capela foi reconstruída em 1970.

Em 1958, foi construída a capela do Rego, com restauro exterior oferecido pela Colónia Portuguesa do Brasil (8/12/1975). É da invocação de Nossa Senhora da Conceição e possui também as imagens de S. João e de Santa Bárbara. A capela actual foi construída perto do local onde outrora existiam umas Alminhas.

Num cruzamento do Rego, podem-se ver os escombros de uma capelinha das Almas, destruída por um recente acidente viário.

No lugar da Silveira, existe uma capela particular dedicada a Nossa Senhora do Livramento, construída em 1889, cuja festa teria sido alguma vez celebrada em Setembro. Aí se encontra uma pequena imagem de Santo António.

Neste mesmo lugar, há também a capela das Alminhas do Simão, que se diz ser muito velha, a qual possui as imagens de Santa Eufêmia, de S. João e de Nossa Senhora de Fátima.

Perto desta capelinha, existe um nicho construído em pedra de Ançã trabalhada, datado de 1924 apresentando, dentro, Jesus Cristo Crucificado, adorado por dois anjos. É protegido por uma porta de ferro, com buracos formando um coração.

No Silveiro, existia a capela pública da invocação de Nossa Senhora das Dores (1915), com reconstrução em 1966. Este templo, encontrando-se degradado, foi substituído por outra capela de construção recente.

Além dos templos maiores ou menores, mais ricos ou menos, mais antigos ou mais modernos, que acabámos de mencionar, há também, em vários lugares da freguesia, alguns cruzeiros que são dignos de registo:

Houve um, de pedra, em frente da igreja actual, perto do local onde existiu o velho templo, mas que um acidente de trabalho derrubou, partindo as pedras que o formavam. Em seu lugar, foi construído um outro de traça moderna.

Outro, no centro da freguesia, do século XVII, de templete, restaurado em 1940, ao qual foi retirada a protecção de madeira que o envolvia.

Em Perrães, um cruzeiro do mesmo género do anterior, também de coberto ou de templete, do século XVII.

Num cruzamento de Águas-Boas, há também um velho cruzeiro, com inscrição e datado de 1687 na peanha de pedra que serve de base a um fuste de quatro faces. Está reconstruído e foi pintado de branco, o que não permite a leitura clara da inscrição.

Em Malhapão, em cruzamento de caminhos, existem dois cruzeiros modernos de pouco valor arquitectónico.

Na Gesta, perto da capela, foi erigido um moderno cruzeiro com a imagem de Cristo-Rei no topo, e, por isso, assim identificado.

Em Oiã, além da festa do padroeiro S. Simão e de Nossa Senhora de Fátima, em Outubro, também se celebra a festa de S. Geraldo, em Junho. Mas a grande festa-convívio, de todas as aldeias limítrofes realiza-se num espaço pertencente a esta freguesia, a 8 de Setembro; é no Vale do Ramalheiro, designa-se também por festa do Ribeiro da Palha e é chamada a festa das merendas, de carácter marcadamente popular e profano.

Todavia, de 10 de Setembro de 1818, são conhecidos os "Autos de licença pedida por António Dinis Ferreira Felix, da vila de Ílhavo, que sendo proprietário de muitas fazendas no lugar do Ramalheiro, pretende construir uma capela com a invocação de Nossa Senhora da Conceição e destinada a todo o povo daquele lugar".

A Freguesia de Oiã tem-se revelado em fase de grande progresso; recentemente, elevada à categoria de vila, fez surgir, há pouco, o seu Centro Social e foi criada a Escola C+S.

Para além disso, a freguesia possui um Grupo Recreativo e Cultural - Nova Vaga que, entre outras actividades, se tem dedicado à divulgação de teatro.

Em Malhapão, existe uma associação congénere, designada por ADAMA.

A Freguesia de Oiã pode orgulhar-se de ter por filho um vulto notável das letras portuguesas; trata-se de António Augusto Cruzeiro - António de Cértima - que nasceu no lugar da Gesta desta freguesia, em 1894.

A maior parte da sua obra foi publicada em Lisboa e o seu valor eleva-o a categoria de escritor nacional com que o Concelho de Oliveira do Bairro se pode e deve orgulhar. Além de escritor, António de Cértima foi militar e diplomata. Foi devidamente assinalado o centenário do seu nascimento em 1994.