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Igreja Paroquial









Frente da Igreja Paroquial








Trindade







Pintura das Almas com a Trindade

Mamarrosa

É, actualmente, uma freguesia do Concelho de Oliveira do Bairro que dista da sede do Concelho 11 quilómetros. Fica situada na chamada região vinhateira da Bairrada, relativamente próxima da ribeira do Boco, na sua margem direita.

Foi um antigo curato da apresentação da reitoria de Soza ou, de acordo com a Estatística Paroquial, de 1862, da apresentação dos Duques de Lafões, donatários da Casa de Soza. Tendo passado a reitoria independente, pertenceu depois ao Concelho de Mira, transitando para o de Oliveira do Bairro por Decreto de 31/XII/1895. De 21/XI/1895 até 13/I/1898, esteve anexada ao Concelho de Anadia enquanto se manteve a supressão do de Oliveira do Bairro.

Fazem parte desta freguesia os seguintes lugares: Caneira, Malhapãozinho, Quinta do Cavaleiro, Quinta da Gala, Quinta do Gordo e Quinta das Martinhas.

Em 1990, no Nº 18 do Boletim da ADERAV, foi publicada uma página de um documento de 1658, em que se faz referência à Mamarrosa. De facto, na Memória da Jornada das freiras que vieram de Carnide e do Convento de Santo Alberto de Lisboa para fundarem o Convento de S. João Evangelista das Carmelitas Descalçadas de Aveiro, aponta-se esta freguesia como o último lugar onde repousaram, vindo de Sioga do Campo e descansando aqui, pela última vez, antes de chegarem a Aveiro. Aí se diz, concretamente, o seguinte: "Partimos da Li (de Sioga) p.ª amamaRoza donde eu cheguei apercurar Cazas pera nossas Relegiozas." É uma página digna de interesse para a nossa região, porque nos dá alguns esclarecimentos sobre a vida das pessoas e sobre a povoação nesse tempo.

É claro que a povoação era já conhecida desde há muito tempo, pelo menos desde 1242, pois sabe-se que D. Sancho II fez dela mercê a Frei Hugo, prior do Hospital de Santa Maria de Soza, o que foi confirmado por seu irmão D. Afonso III, sendo rei.

A sua igreja paroquial é dedicada ao apóstolo S. Simão. É uma construção do século XVIII. No nicho, há uma pequena escultura de tipo popular, do século XV, representando S. Simão. No interior do templo, existem imagens de S. Simão e de Santa Marinha. Há ainda outras imagens: Ecce Homo, Virgem do Rosário com o Menino, S. Sebastião e a Trindade . Apesar do padroeiro ser S. Simão, a grande festa da freguesia é a de S. Sebastião, a 7 de Agosto.

Num retábulo, à esquerda, uma pintura das Almas com a Trindade no cimo, de cariz popular.

Na povoação existem vários Cruzeiros; alguns, mais antigos e de certo valor, todos, porém, reconstruídos.

Um que deu o próprio nome ao largo em que está inserido - Largo do Cruzeiro - e que não é mais que um cruzamento das estradas 333 - 1 com a 335, o qual está datado de 1670 . Outro situado na designada Praça da Missão, reconstruído pela Mordomia do Senhor em 1949, cuja base em que assenta a coluna é antiga, de pedra, e está apoiada em quadrados de dois degraus. Outro, de fuste muito elegante, datado de 1873, encontra-se implantado no velho cemitério lateral da Igreja. Outro ainda, de construção mais moderna, situado num cruzamento da Rua de Baixo, com a data de 6/8/1944.

Ainda na Mamarrosa, seguindo da Praça da Missão pela Rua de S. Romão, vamos encontrar uma pequena capela moderna, mandada construir pela Junta de Freguesia (1991), no lugar da bifurcação com a chamada velha Estrada da Rainha, dedicada a S. Romão.

Mas a 18 de Setembro de 1775, foram registados os "Autos de requerimento do juiz da igreja e do povo do lugar e freguesia da Mamarrosa, bispado de Aveiro, para se conceder licença de benção à capela com a invocação de Nossa Senhora da Graça, que fora reedificada nesse lugar".

Esta capela actualmente já não existe.

No lugar da Quinta do Gordo, há também uma pequena capela dedicada a Santo António, (vulgarmente Santo António das Carrascas), com a data, na fachada, de 1907 e de reconstrução em 1981. Trata-se de festa grande das pessoas dos lugares próximos.

Em 1940. Foi construída a capela pública de Nossa Senhora de Fátima, na Quinta da Gala, com festa, cerimónia religiosa e procissão no domingo mais próximo a seguir ao dia 13 de Maio; é festividade muito concorrida pelas pessoas dos lugares e das aldeias vizinhas.

Neste mesmo lugar, há uma capela particular da mesma invocação, cujos proprietários costumam fazer festa em Outubro. É de construção recente.

No lugar da Caneira, existe uma capela pública dedicada a S. Geraldo, restaurada várias vezes, sendo a última em 1948. É festividade concorrida que se celebra na segunda-feira seguinte ao domingo do Pentecostes, vulgarmente conhecida por festa das cerejas.

A pouca distância desta, em cruzamento de velhos e rurais caminhos, fica situada uma capelinha das Almas, particular, recuperada em 1988. Apresenta alguns adornos de cerâmica vermelha e janela de grade de ferro carcomida, protegida por um arranjo posterior também de cerâmica da mesma cor.

Em 1992, foi implantado, neste mesmo lugar, pela Comissão de Festas de S. Geraldo, um moderno cruzeiro em pedra de Ançã, com base de dois degraus, peanha, fuste redondo com cruz no cimo.

Esta freguesia possui ainda uma antiga filarmónica de renome, muito conhecida na região, fundada, em 1916, pelo professor do Ensino Primário, Jaime Oliveira Pinto de Sousa. Começou como banda Escolar da Mamarrosa, cujos elementos eram alunos da Escola. Ainda existe e está integrada actualmente na Associação Beneficente, Cultura e Recreio.

Tem clube desportivo - Mamarrosa Futebol Clube.

Modernamente, foi criada nesta aldeia e nela se tem desenvolvido com grande sucesso a Associação Humanitária de Dadores de Sangue (ADASMA), considerada uma das mais bem organizadas do País.