ROTEIRO RELIGIOSO
  Introdução
    Bustos
    Mamarrosa
    Oiã
    Oliveira do Bairro
    Palhaça
    Troviscal
  Nota final
  Bibliografia
  Início
 


MUSEU S. PEDRO

PALHAÇA

ROTEIRO CULTURAL E
RELIGIOSO


DIOCESE DE AVEIRO

CULTURA BAIRRADINA

AUTORES DO CONCELHO DE OLIVEIRA DO BAIRRO

PLÊIADE BAIRRADINA

ARLINDO VICENTE

FORAL DE OLIVEIRA DO BAIRRO


LIGAÇÕES

 

Contacto
 

 


Antiga Igreja Paroquial

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Sr. dos Aflitos da antiga Igreja

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Interior da Igreja de Bustos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


S. Lourenço

 

Bustos

É uma florescente freguesia do Concelho de Oliveira do Bairro, distrito e diocese de Aveiro. Pertenceu à Comarca de Anadia, da Relação de Coimbra.

Situada no extremo ocidental do Concelho, dista 9 quilómetros da sede, nos limites com os Concelhos de Vagos e de Cantanhede. O seu orago é S. Lourenço.

Sabe-se que é povoação muito antiga porque fez parte das doações de D. Sancho II e de D. Afonso II a Frei Hugo da Santa Maria de Soza. Posteriormente, a partir de 1718, passou a integrar-se no património da Casa de Lafões, Condes de Miranda do Corvo e Marqueses de Arronches.

Por isso mesmo possuiu um celeiro, que foi municipal, o qual foi demolido em 1914, para dar origem ao largo da capela e à construção da respectiva torre. Esta capela veio depois a servir de Igreja paroquial, embora tivesse reduzidas dimensões. Já nos nossos dias, veio a ser substituída pela moderna Igreja, no lugar do Corgo de Bustos.

A povoação fez parte constituinte dos Concelhos de Soza, de Aveiro, até 1836. Pertenceu ao Concelho de Mira e, nos anos seguintes, foi integrada no Concelho de Anadia, vindo depois a incluir-se no Concelho de Oliveira do Bairro a partir de 1898, onde se tem mantido.

Pelo aumento demográfico e pelos seus recursos económicos, a sua população propôs, em 1918-1919, a elevação a freguesia independente, o que veio a confirmar-se por decreto de 18 de Fevereiro de 1920. A população manteve-se sempre plurifacetada sob o ponto de vista político, religioso e cultural.

Tornou-se conhecido o nome de Visconde de Bustos, primeiro e único, chamado António Duarte Sereno, que foi um abastado capitalista de Oliveira do Bairro e grande influente político da região na sua época. O título foi-lhe concedido ainda em sua vida, a 9 de Julho de 1908, por D. Manuel II, último rei de Portugal. Não terá sido menos conhecida a sua habitação, designada por Palacete do Visconde de Bustos, com funções actualmente reconvertidas, pois aí está instalada a Biblioteca fixa da Fundação Calouste Gulbenkian.

Nos últimos anos, a freguesia tem-se desenvolvido consideravelmente sob o ponto de vista industrial - serralharia, mármore, cerâmica, etc. - ainda que primordialmente, continue a ser um povoação de estrutura básica agrícola.

A freguesia de Bustos é formada pelos seguintes lugares:

Azurveira - Possui uma moderna capela da invocação de Nossa senhora dos Emigrantes, construída em 1972, com o apoio da gente do lugar. A capela possui um pequeno campanário de ventana, do lado esquerdo, com sineta.

A festa, em princípio, celebrava-se no 1º domingo de Agosto. Actualmente, realiza-se no último domingo de Julho.

Em frente da capela, existe um largo bem arranjado que uma lápide designa por Parque Infantil Nossa Senhora dos Emigrantes, onde também se pode ler a seguinte quadra de redondilha maior:

"As crianças de Azurveira
Vêm hoje cumprimentar
Todos os que nos legaram
Este parque para brincar."

Sob a quadra, pode ler-se a seguinte data: 02-08-1987.

Há um dia em que as Ladainhas saem desta capela.

Barreira de Bustos - Tem uma capela particular, integrada no conjunto de construções habitacionais pertencentes à família Pato. No portão de entrada, de ferro, apresenta a data de 1910. É da invocação de Nossa Senhora do Rosário.

De 22 de Dezembro de 1873, são conhecidos os "Autos de revista de uma capela ao Santíssimo Imaculado Coração de Maria, pedidos por António Ferreira do lugar da Barreira".

A 25 de Março de 1914, "Requerimento ao pároco da Mamarrosa, Gabriel Duarte Martins, para a bênção de um capela particular, pertencente à família dos Ferreiras da Barreira, e aberta ao público".

Ainda no lugar da Barreira, foi mandada construir uma capela por Maria Rosa dos Santos e inaugurada por comissão de festas em 1988, dedicada a um médico venezuelano muito conhecido pela sua bondade e que morreu com fama de santo. O Painel da fachada, de azulejo colorido, indica: El Siervo de Dios - Doctor José Gregório Bernandez Cisneros (1864-1919). Aí também se pode ler uma frase alusiva: Aqui há Deus / S. Gregório Salve / a todos nós.

No interior, um altar que tem ao cimo, na parede do fundo, um crucifixo; ao centro, a imagem de D. Gregório; à direita, uma imagem de Nossa Senhora da Saúde e, à esquerda, a de Nossa Senhora de Fátima.

Bustos - Incluía a antiga igreja paroquial. Esta resultou da adaptação e da ampliação de uma antiga capela aí existente, cujo arco cruzeiro tinha a data de 1733; e, num nicho superior à porta, estava a pequena escultura de S. Lourenço, de pedra, trabalho do século XVI. Era dedicada a S. Lourenço e possuía duas esculturas de madeira do século XVIII: a de S. Lourenço e a de Santo António; também a de uma Virgem sentada dando leite ao Menino, do mesmo século - Nossa Senhora do Leite ou Virgem do Leite.

De Novembro de 1742, conhece-se o registo do "Requerimento apresentado pelo Capitão Miguel Simões do lugar de Bustos a pedir para ser sepultado na capela de S. Lourenço".

Esta igreja foi demolida, dando origem a outra de tipo moderno, erigida na área do Corgo de Bustos, na qual também existe, numa peanha lateral, a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

A festa de S. Lourenço celebra-se a 8 de Agosto.

Cabeço - Neste lugar, um belo nicho moderno, dedicado a S. Martinho, com azulejos alusivos à colheita do vinho construído pela Junta da Freguesia e pela Câmara Municipal, em 1992, junto ao fontenário que já existia mas que foi remodelado e bastante melhorado.

Da parte de dentro, com bica para a água e azulejos pintados com motivos da lavagem da roupa, estão inscritas duas quadras de redondilha maior, ao centro:

"Fontenário do Cabeço
Dedicado a S. Martinho
Melhor água não conheço
Melhor povo, melhor vinho!

Vivem em franca harmonia
Por todos tem muito apreço
É alegre e hospitaleiro
Esta gente do cabeço."

Póvoa de Bustos - Neste lugar, foi construída, em 1971, pelo respectivo povo, uma pequena capela dedicada ao Senhor dos Aflitos. Tem pequeno suporte de ferro para a sineta, do feitio de ventana, e é revestida de azulejo, tendo um painel exterior colorido com Cristo Crucificado - o Senhor dos Aflitos.

Na fachada, possui duas quadras de redondilha maior, uma de cada lado da porta:

"Trabalho, amor e união
Esta capela é erguida
Símbolo de gratidão
Da gente da Póvoa unida.

Nas horas de aflição
Tantos ais e tantos gritos
Resemos uma oração
Ao Senhor dos Aflitos."

A construção desta capela está relacionada com uma outra capelinha da mesma invocação situada na Quinta Nova, a qual parece ter ficado cada vez mais abandonada.

A festa do Senhor dos Aflitos, na Póvoa, já tem grande nomeada e celebra-se no 2º domingo de Julho.

Há um dia em que as Ladainhas saem deste pequeno templo.

Conhecem-se de 3 de Abril de 1742, os "Autos de licença pedida por Joaquim Simões do lugar da Póvoa de Bustos, para ser sepultado na capela de S. Lourenço, junto ao altar do Senhor da Cruz da Agonia".

Quinta Nova - Aqui se encontra a considerada verdadeira capelinha do Senhor dos Aflitos, com imagem antiga de Cristo Crucificado. A capela é particular e diz-se que tem mais de um século; no entanto, está restaurada.

Sobreiro - Neste lugar da freguesia, existe uma capela devotada a S. João, que foi reconstruída em 1984 e toda protegida com azulejo.

Ao centro da fachada, pode ver-se um painel de S. João com o Cordeiro ao colo com a seguinte frase latina inscrita: Ecce Agnus Dei.

Na parte de trás da capela, há uma legenda, afirmando que o largo onde está implantada se deve à iniciativa de Daniel José dos Reis.

Trata-se de uma romaria muito antiga e sempre foi muito concorrida por alturas do S. João, no mês de Junho.

Ainda no lugar do Sobreiro, na rua dos Vieiras, existe uma capelinha de construção moderna (restaurada em 1985), em substituição de uma outra maior que estava integrada no conjunto de casas da família proprietária. É e sempre foi da invocação de Nossa Senhora das Necessidades.

No primeiro dia das Ladainhas, o grupo interveniente sai desta capela.

Em Maio e Outubro, reza-se aí o terço à Virgem.

Entretanto, a imagem foi restaurada, perdendo a sua patine antiga, ficando com cores mais vivas e brilhantes.

De 18 de Agosto de 1889, conhece-se o "Auto de requerimento de licença de benção da capela de Nossa Senhora das necessidades, no lugar do Sobreiro, pedido por António Simões Margaça, que a mandou edificar em cumprimento de um voto".