PALHAÇA
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Paroquia de S. Pedro da Palhaça

   Paroquia de S. Pedro da Palhaça

  De um templo pequeno que era a capela de S. Pedro de Vila Nova, foi sendo ampliado quanto as necessidades humanas o exigiam, no entanto.
   Esta capela estava dependente da Igreja (reitoria) de Soza, situação que mantém até à criação da Paróquia de S. Pedro da Palhaça em 1804.
   O Inquérito paroquial de 1758, respondido pelo Reitor de Soza, Tomé do Sacramento Brito, refere:
“.. o lugar de Vila Nova que tem quarenta e quatro vizinhos e cento e cinquenta e seis pessoas, e dentro dele está uma capela do Apóstolo São Pedro cuja Imagem está colocada no Altar da Capela Mor; tem mais dois altares Colaterais, no da parte do Evangelho está a imagem de Nossa Senhora , com o título da Memória e na parte da Epístola a Imagem do glorioso Mártir São Sebastião e o reparo do corpo desta capela pertence ao povo do mesmo lugar e da Palhaça e Tojeira e a Capela Mor à Comenda desta Vila de Sosa.
   Como vemos no documento supra citado, no lugar de Vila Nova, existia uma capela devotada a S. Pedro, capela essa, que servia os fieis dos lugares da actual circunscrição da Paróquia da Palhaça.
   O Papa Pio VI por Breve Apostólico de 13 de Maio de 1791, concede indulgências especiais a esta Capela. E um outro ao altar das Almas
   Em 16 de Agosto de 1803, faz-se uma escritura de obrigação, do povo dos lugares da actual freguesia, para a formação da Paróquia Eclesiástica da Palhaça.
   “Escritura de Obrigação da Fábrica da Nova Igreja e dos lugares de Vila Nova e a sustentação do sacerdote da mesma que fazem os moradores do dito lugar e do da Palhaça, Arieiro, Ariosa, Tojeira, Albergue e Roque...
...para efeito de conseguirem a desmembração...
... e os separarem da Matriz de Soza e para erigirem em Nova Igreja Paroquial a Capela de São Pedro de Vila Nova”
   Esta separação dá-se em 1804, não sendo possível até ao momento saber a data exacta.
   Apesar de se ter feito a separação, esta apenas veio dar alguma independência, pois o Padre aqui colocado foi o Padre Pedro Marcelino Ferreira, mas na qualidade de Cura Paroquial, sinal de que mantinha a dependência hierárquica religiosa, por outro lado, esta localidade passou a ter eclesiástico residente e livros de registos independente.
   Só em 17 de Dezembro de 1836 aparece o primeiro registo onde o Padre Pedro Marcelino Ferreira assina como Pároco.
   Com o aumento da população, o templo torna-se pequeno e pondera-se a hipótese de construção de uma nova igreja, como a proposta apresentada em sessão da Junta de Paróquia de 21-01-1886, onde se alegava a necessidade de grandes obras no templo e a boa vontade que havia de se construir um novo, mais centralizado.

Extinção das Ordens Religiosas

   Em 1833, inicia-se no Reino de Portugal um conjunto de reformas, uma delas foi a extinção das Ordens Religiosas, que deu origem a três factores preponderantes que de alguma forma também teve os seus reflexos na Palhaça.
    - A expulsão dos religiosos dos conventos;
    - A passagem dos bens religiosos para o estado;
    - O início da grande reforma administrativa.
   Os religiosos expulsos foram procurar um lugar para estar, geralmente onde tivessem familiares e aí, muitos se dedicaram ao ensino das letras, contribuindo assim para a alfabetização.
   Os bens das Ordens religiosas, o estado vendeu-os, sendo a maior parte dos terrenos sido adquiridos pelos arrendatários, iniciando-se assim uma agricultura exclusivamente familiar, aumentando o poder económico dos povos.
   O início da Reforma Administrativa do Reino, vem criar as Províncias, os Distritos, os Concelhos e as Freguesias.

   A Reforma Administrativa

   A 18 de Julho de 1835, sai a lei que inicia a Reforma Administrativa. É por este decreto que são criadas as Freguesias e o órgão que as gere, as “Juntas de Paróquia”. Este organismo geria os bens da igreja e os bens civis e possuiam uma semelhante aos das Juntas de freguesia nos dias de hoje.
   As Juntas de Paróquia eram geridas por seis pessoas, um presidente e quatro vogais e um secretário
   Por solicitação do Ministério do Reino, o Presidente da Junta de Paróquia, deveria ser assumido pelo pároco e os vogais serem eleitos pelo povo, em muitos casos, o presidente era exercido por outra pessoa também letrada e o pároco exercia as funções de secretário.
   Em 1935, na circular nº 2 do Governo Civil de Aveiro, dá instruções para que nas freguesias, onde não haja população suficiente, para nomear uma Junta de Paróquia, para a Câmara a unir a outra.
   A lei eleitoral de 1836, é o primeiro documento que refere a “Freguesia de Vila Nova” da Palhaça e pertencente ao concelho de Esgueira.
   Esta reforma levou muitos anos, com muitas alterações legislativas.
   Assim, em 06 de Novembro do mesmo ano (1836), o Concelho de Esgueira é extinto e a Freguesia de Vila Nova da palhaça, passa para o Concelho de Soza, por sua vez em 31 de Dezembro de 1853, este conselho é extinto e a freguesia, para o concelho de Oliveira do Bairro. A riqueza da Palhaça, principalmente devido à sua Feira, (que abordaremos mais à frente), desencadeia guerras políticas que associado ao interesse da população, que após um abaixo assinado, dirigido ao Ministério do Reino, passa por decreto de 04 de Dezembro de 1872 para o concelho de Aveiro. A Reforma continua e o próprio concelho de Oliveira do Bairro é extinto em 2 de Novembro de 1895, vindo a ser restaurado, pouco mais de dois anos depois em 13 de Janeiro de 1898. Mesmo com todas as pressões políticas contrárias, por este decreto a freguesia da Palhaça, passa para o concelho de Oliveira do Bairro, onde se mantém até aos dias de hoje.

    A Implantação da República

   O desenvolvimento político nacional, leva à grande revolução da Implantação da República em 05 de Outubro de 1910.
    Esta revolução, levou a grandes alterações no país, sendo uma delas a separação da igreja do estado.
Numa primeira fase, o estado tomou conta de todos os bens da Igreja, mesmo os bens geridos pelas Juntas de Paróquia.
   Foi um período muito critico para a igreja e mesmo para as populações na sua maioria cristãs. Refira-se por exemplo que até para tocar o sino para uma cerimónia religiosa, carecia de autorização administrativa.
   Como não poderia haver excepção, com a Igreja (paróquia) da Palhaça passou-se o mesmo que no resto do país, foi feito o inventário dos bens e entregues a uma comissão administrativa.
   Após requerimento é reconhecida a sua autonomia religiosa em 29 de Novembro de 1926, com a aprovação dos estatutos .
   Por sua vez em função da portaria nº 6 584 de 4 de Janeiro de 1930 e posterior Auto de Entrega de 30 de Janeiro do mesmo ano, inicia-se a entrega dos bens à igreja Paroquial da Palhaça, bens esses que tinham sido entregues a uma comissão administrativa e em função da relação de bens apresentada pelo pároco, Padre José Martins em 6 de Novembro de 1929.